Texto de Ron Daniels retirado do programa do espetáculo “Hamlet” dirigido por ele

Homem de teatro, ator mesmo, Shakespeare escrevia um inglês rico, porém gostoso, para ser falado pelos atores com toda naturalidade – dizem até que o famoso verso em forma de pentâmetro iâmbico era a maneira  natural de se falar inglês! – e para ser entendido pelo seu público. Se é esse o caso, quanto mais acessível e direto for o texto em português, melhor – para que passamos entender com facilidade o que está sendo dito – e para servir a um teatro prazeroso e ao alcance de todos.

Nesse teatro, cenas de grande intimidade, onde os personagens revelam seus desejos, suas contradições e seus pensamentos mais secretos, sucedem, vertiginosamente, a cenas épicas e fantásticas, situadas “entre o céu e a terra”, onde a morte é encarada tanto como metáfora aterradora, quanto realidade sórdida, e onde cada um vai ao encontro de si mesmo.

Hamlet é um thriller inteligente e cheio de humor dilacerante. Suas imagens, sua humanidade, sua música e poesia, pertencem a todos nós. Assim, podemos enxergar a nossa verdade e a nossa consciência no espelho do seu teatro, pois reconhecemos suas palavras e seu mundo,

E quando o personagem no início, pergunta, QUEM ESTÁ AÍ?, acabamos de responder, lá no fim, SOMOS NÓS!

 

 

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