A Cia. Provisório-Definitivo está em temporada com As Estrelas Cadentes do Meu Céu São Feitas de Bombas do Inimigo no Viga Espaço Cênico, sob direção de Nelson Baskerville, O espetáculo é inspirado em relatos  de guerra, contidos nos livros Diários de Guerra – Vozes Roubadas (de Zlata Filipovic e Melanie Challenger) e Diário de Anne Frank.

Sem obedecer a uma narrativa linear e cronológica, a peça utiliza trechos de 12 diários escritos por crianças e jovens durante conflitos de guerra. A narrativa fragmentada retrata passagens ocorridas desde Primeira Guerra Mundial até a mais recente invasão do Iraque, passando pelo Vietnã, pela Intifada palestina e por vários momentos da Segunda Guerra Mundial; como é o caso da jovem russa que ingressou no front, em 1940, atrás de um grande amor, ou da menina de Cingapura que narrou agruras de sua vida durante esta guerra. O diretor explica que “o olhar puro, sem interferência sobre a guerra, não mascara ideologicamente a verdade do que acontece”.

As Estrelas Cadentes do Meu Céu São Feitas de Bombas do Inimigo nasceu de um processo colaborativo entre os atores-criadores da Cia. Provisório-Definitivo (Carlos BaldimPaula ArrudaPedro Guilherme e Thaís Medeiros) e Nelson Baskerville. Esta peça-documentário (termo que o grupo adotou por considerar mais apropriado) faz recortes teatrais dos relatos das crianças e jovens – com direito a licenças poéticas, onde o rigor histórico cede lugar à liberdade de criação.“Esta foi a melhor forma que encontramos para contar as histórias, mais do que uma cópia fiel dos fatos históricos, nos interessou a leitura artística que poderíamos fazer sobre esses fatos”, argumenta Pedro Guilherme. Além dos textos inspirados nos diários, outros foram escritos pelos próprios atores e pelo diretor.

O Brasil não ficou de fora. O diretor e o grupo decidiram inserir também um personagem da guerra do tráfico na periferia paulistana. Neste caso, o jovem (Washington) teve sua história retratada no documentário Jardim Ângela, de Evaldo Mocarzel. “Era importante trazer esse tema da guerra também para os trópicos; é importante questionarmos sobre qual é a guerra de cada um”, comenta o diretor.

Ao espectador cabe refletir e “encontrar” respostas para as perguntas desses jovens, vítimas dos conflitos de guerra. Para a Cia. Provisório-Definitivo, “a busca do entendimento sem maniqueísmos ou manipulações é um importante instrumento da arte e da educação”. Os atores ainda vêem o panorama das guerras – refletido pelos olhos de crianças – como um importante ponto de reflexão sobre o mundo atual: ainda existem utopias transformadoras? Temos como interferir na marcha real da história?Estas são algumas das indagações propostas em As Estrelas Cadentes do Meu Céu São Feitas de Bombas do Inimigo. “O espectador, colocado dentro desta ‘caixa de guerra’, é levado pensar sobre os conflitos. Quem causa a guerra somos nós, pela posse, pela propriedade. Queremos algo que é do outro e vamos tomar à força”. Afirma o diretor.

Nelson Baskerville cita Tennessee Williams:“Sou o contrário de um mágico. Ele faz a mentira parecer verdade e eu faço a verdade parecer mentira”. Ele diz que esta frase permeia toda a encenação. “É importante esta nevoa de fumaça para nos aproximar das histórias, porque tudo é verdadeiro”.

Ao dar identidade a anônimos, em meio a grandes conflitos do século XX e XXI, a peça exibe um profundo panorama documental dessas questões. “Muito além de eleger heróis ou vilões, parece-nos necessário indagar sobre o nosso papel nos processos evolutivos da sociedade”, refletem os membros da companhia. Segundo eles, as histórias apresentadas não falam simplesmente de crianças, mas de seres humanos que, independente da idade, origem ou crença, protagonizam histórias tão próximas e ao mesmo tempo distantes, tão coerentes e absurdas, tão belas e apavorantes. É nessa trilha de antagonismos que transita a encenação de As Estrelas Cadentes do Meu Céu São Feitas de Bombas do Inimigo.

O projeto nasceu de uma antiga paixão de Paula Arruda pela vida da Anne Frank. No final de 2007, Pedro Guilherme lhe mostrou outras histórias de crianças e jovens que também escreveram diários em tempos de guerra. A pesquisa teve início em 2009 e, no ano seguinte, a ideia foi compartilhada com os outros integrantes da Cia. Provisório-Definitivo, Carlos Baldim e Thaís Medeiros. Decidiram contar essas histórias e, desde então, o grupo vem trabalhando não só na montagem como na viabilização do espetáculo. “Esses anos também foram importantes para o amadurecimento do projeto”, explica Paula.

 

SERVIÇO:

Viga Espaço Cênico – R. Capote Valente, 1323 – Tel: (11) (11) 38011843

Temporada: terças, quartas e quintas-feiras – às 21 horas – Até 16/05

Ingressos: R$ 30,00 (meia: R$ 15,00) – Ingressos somente na bilheteria 1h antes das apresentações.

Duração: 60 min – Classificação etária: 14 anos – Gênero: Drama

 

Ficha técnica

Espetáculo: As Estrelas Cadentes do Meu Céu São Feitas de Bombas do Inimigo

Dramaturgia: Carlos Baldim, Paula Arruda, Pedro Guilherme, Thaís Medeiros e Nelson Baskerville

Direção: Nelson Baskerville

Elenco: Carlos Baldim, Paula Arruda, Pedro Guilherme, Thaís Medeiros e Victor Merseguel.

Assistência de direção: Sandra Modesto

Preparação corporal: Neca Zarvos

Cenário: Cynthia Sansevero e Nelson Baskerville

Figurino: Marichilene Artisevskis

Iluminação: Aline Santini e Nelson Baskerville

Trilha sonora: Gregory Slivar

Projeto audiovisual: Lucas Bêda

Visagismo: Emi Sato

Assistência de visagismo: Valeria Gomes

Adereços: PalhAssada Ateliê (Karina Diglio e Marcos Tadeu Diglio)

Costureiras: Judite Gerônimo de Lima e Desolina

Operação de vídeo: Samuel Gambini

Operação de som: Vinícius Andrade

Design gráfico: Benoit Jeay

Assistência de produção: Maria Medeiros

Fotos: Ligia Jardim e Douglas Renné

Registro em vídeo: Edson Kumasaka

Contabilidade: Paula Romano e Raquel Chaves

Coordenação geral: Paula Arruda

Produção executiva: Cia. Provisório-Definitivo

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