O controverso escritor, poeta e dramaturgo francês Jean Genet e suas personagens são retratados na peça Genet: o poeta ladrão, de Zen Salles, dirigida por Sérgio Ferrara, que teve sua reestreia no dia 7 de fevereiro e ficará em cartaz até 30 de março no Sergio Cardoso (Sala Paschoal Carlos Magno)

A peça inicia em 1969 com a vinda de Genet a São Paulo para a estreia da histórica montagem brasileira de “O Balcão”, dirigida por Victor Garcia, que fala de revolução e que é encenada em um período que o Brasil enfrenta forte censura e repressão militar. Ao tomar conhecimento das inúmeras prisões de artistas e intelectuais, Genet relembra os seus tempos na prisão e de todo o submundo que fez parte de sua vida marginal.

Na intimidade de sua cela, quando a noite cai, Genet, em uma espécie de delírio, evoca os seres da noite, nesse lugar entre o sagrado e o profano, e recria um mundo imaginário de desejos e prazeres. Nesta montagem, todas as personagens são inertes, abatidas pelo destino, fragmentos de um mundo decadente e Genet é um Deus bárbaro que se compraz no sacrifício humano.

Ao longo do espetáculo, o espectador segue Genet por meio de várias fases de sua metamorfose. Um vagabundo que perambula pela cidade e cujos pertences poderiam caber numa pequena mochila. Geralmente, vivia em hotéis perto de uma estação de trem, hábito constante do ladrão, estar posicionado para uma fuga rápida.

Como um poeta ladrão, que vagueia através da memória pelo submundo da prostituição e das drogas, Genet revela suas personagens sem esperança, porque a esperança só pode pertencer a personagens livres e ativas, enquanto o olhar dele só está preocupado em satisfazer sua própria crueldade.

“Trabalhei o universo imaginário de Jean Genet usando como metáfora a noite estrelada que cai sobre nós como um universo de pedrarias cheio de desejos e delírios repletos de gozo. O mistério de Genet resolve-se, portanto, de forma surpreendente, em uma radical consciência da liberdade. Genet estava condenado e morto, desde a palavra vertiginosa de seu pai adotivo. Não tomou as decisões lógicas e cabíveis, não escolheu o possível e razoável, que seriam o suicídio ou a pacificação da loucura. Genet escolheu viver e, do mais fundo de sua miséria e solidão, decidiu tornar-se poeta”, conclui Ferrara.

Para a construção da peça, o autor, Zen Salles, se baseou nas personagens de Genet e situações encontradas nos livros “Nossa Senhora das Flores”, “Diário de um ladrão”, “Pompas Fúnebres”, Um cativo apaixonado”, nas peças “Esplêndidos”, “As criadas” e “O balcão” e em “Genet: uma biografia”, de Edmund White, e “Sant Genet”, de Jean-Paul Sartre”. “Mas, eu não sou totalmente fiel à história de vida dele. Nem ele mesmo o foi, pois como costumava dizer, ‘a poesia é a ruptura entre o real e o irreal’ e, na peça ‘Esplêndidos’, ele também escreveu que ‘a traição é doce’. É justamente esse Genet que me interessa e é retratado na minha dramaturgia: um Genet que habita as sombras, um Genet que ama os que erram, um Genet que tem tesão pelo crime, um Genet que é poeta e, como tal, sabe esgotar o mundo com a sua poesia viva”, explica Zen Salles.

SERVIÇO

Sextas e sábados às 21h, domingos as 20h.

Temporada: de 07 de fevereiro até 30 de março

Duração: 80 minutos.

Recomendação etária: 18 anos

Preços: R$ 40,00 (inteira); R$ 20,00 (meia).

Local: Sergio Cardoso (Sala Paschoal Carlos Magno) – Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista – São Paulo – SP

Telefone: (11) 3288 0136 ou (11) 3287 8844

FICHA TÉCNICA

Baseado na obra de Jean Genet

Texto: Zen Salles

Direção: Sergio Ferrara

ELENCO

Ricardo Gelli – Genet

Fransérgio Araújo – Stilitano / Madame Irma

Nicolas Trevijano  – Divina

Rogério Brito –  Mimosa / Simone

Felipe Palhares – Mignon

Ralph Maizza – Pilorge / policial / preso

Gabrielle Lopez  – Guy / Madame Claire / Beata / Mendiga

Jhe Oliveira –  Sartre / carcereiro / Carolina

Magno Argolo – Padre / Policial / Preso / Carolina

Bruno Bianchi – Anjo / Salvador / Carolina

EQUIPE TÉCNICA

Figurino: Iraci de Jesus

Cenário: Sergio Ferrara

Iluminação: Rodrigo Alves

Sonoplasta: Sergio Ferrara

Fotos: Vivian Fernandez

Direção de Produção: Elder Fraga

Realização: Fraga e Ferrara Produções        

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