Thiago Lacerda encabeça elenco da montagem de Hamlet em cartaz no Teatro Tuca em SP. O espetáculo é dirigido pelo brasileiro Ron Daniels, um dos Diretores Associados da Royal Shakespeare Company em Stratford-upon-Avon desde 1980. Desde julho, Daniels está em São Paulo para dedicar-se à montagem. Hamlet é o seu retorno aos palcos brasileiros — sua última encenação no Brasil foi Rei Lear, 2000, protagonizado pelo ator Raul Cortez. O diretor também foi responsável pela fundação do Teatro Oficina, ao lado de José Celso Martinez Corrêa e Renato Borghi.

Com todos os elementos devidamente nos seus lugares, entrosados, e significativos: elenco, cenografia, figurinos, luz e som em harmonia para contar a trágica história do príncipe da Dinamarca.

 “Hamlet paira constantemente entre a vida e a morte, a esperança e a desilusão, o que é verdadeiramente trágico e o que é gozado também. É uma peça violenta, onde corre o sangue, o cuspe e as lágrimas, e que fala da maneira mais íntima e urgente de nós mesmos e do nosso tempo. Uma trajetória maravilhosa que a cada nova montagem define todo o espírito de uma geração”, declara Daniels

A trama se passa na cidade de Elsinore, capital do longínquo reino da Dinamarca, o velho rei acaba de morrer. Seu sucessor não é o seu filho, um jovem universitário, mas o seu poderoso irmão, eleito pelo congresso. A rainha viúva se casa logo com o novo rei e a transferência do poder ocorre com toda tranquilidade. Só que à noite o fantasma do velho rei ronda as muralhas do castelo à procura do seu filho. A verdade, diz ele, é que foi assassinado pelo irmão, numa replica do primeiro crime, a morte de Abel pelas mãos de Caim. O pai fantasma exige e o filho promete vingança imediata. Olho por olho…

Mas como acreditar num fantasma? E numa época civilizada e cristã, como não perdoar a aqueles que nos ofendem. Confuso, sem prova alguma do que alega o fantasma, se sentido culpado por ser incapaz de cumprir sua promessa de vingança e obcecado pela traição voluptuosa de sua mãe, Hamlet entra em crise. Profundamente enojado de si mesmo e de tudo, ele vai à procura da morte. Ser ou não ser. É essa mesmo a questão…

A concepção de Daniels

“Shakespeare não escrevia suas peças só para as elites e a linguagem do seu teatro não era para ser entendida apenas pelos intelectuais. Por mais rebuscados que seus temas fossem, pertenciam à cultura popular. Seu teatro era moderno, vigoroso, com narrativas empolgantes e dinâmicas. Nada de precioso. As palavras que Shakespeare usava vinham da língua do povo, mesmo que o seu gênio fizesse com que a maneira de organizar estas palavras resultasse no que o guru do teatro inglês Peter Brook chama de “harmonia espiritual” – a música das esferas. E se hoje em dia precisamos de um dicionário especial para entender o significado dos termos sexuais de suas peças (A Dictionary of Shakespeare’s Sexual Puns and their Significance, publicado pela Macmillan Press em 1984), na época o espectador entendia todas as piadas e todas as vulgaridades do texto por mais requintadas que fossem.

Shakespeare era um homem do teatro e seu objetivo era comunicar suas idéias e seus enredos da forma mais direta possível. É certo que ele tinha um vocabulário enorme, mas não procurava propositadamente usar palavras que o seu público desconhecia. Não era poeta ou filósofo – ou se o era, era só por casualidade. Não escrevia poesia nem dissertações filosóficas e abstratas, mas teatro, ação e personagens – embora como todos os escritores da época, obedecia as regras do chamado verso “pentâmetro iâmbico”: cada linha do texto em verso constituído de cinco pares de sílabas, uma fraca seguida de outra forte, sendo que as palavras importantes sempre caem na sílaba forte. Mas essas são exigências do verso em inglês, que não têm nada a ver com o português escrito – muito menos o falado. Além disso, como diz o diretor John Barton da Royal Shakespeare Company, o “pentâmetro iâmbico” é a forma natural e gostosa de falar inglês. Se for assim, por que traduzir ou encenar o texto de forma rebuscada, embolada ou contorcida? Por que não traduzir o seu teatro através de uma forma natural e gostosa de falar o português? Uma forma direta, muscular, e lúcida que permita ao espectador entender tudo, palavra por palavra, sem dicionário, sem tempo de reflexão, no momento imediato da ação. Então, vai faltar poesia? Pelo contrário. O que será revelado na boca do ator, sem mistificação, é o conteúdo mais profundo da fala que nos conduz ao encontro direto com o personagem em toda a sua humanidade e com todas as suas contradições. E através do personagem às verdades universais que falam de todos nós, das nossas vidas e do nosso tempo. Um Shakespeare verdadeiramente moderno, brasileiro e autêntico – como se ele tivesse nascido não em Stratford-on-Avon, na Inglaterra, mas em São Paulo ou em qualquer canto do Brasil. E o nosso espectador sairá do espetáculo totalmente empolgado, dizendo “Ué! Como é que é isso? Entendi tudo! Que gênio de autor. Que maravilha de peça!

Esse é uma das principais razões que justificam essa montagem.”

Sinopse

No longínquo reino da Dinamarca, o fantasma do velho rei ronda as muralhas do castelo à procura do seu filho. A verdade, diz ele, é que foi assassinado pelo seu irmão. O filho promete vingança, mas como acreditar nas palavras de um fantasma? Incapaz de cumprir sua promessa e obcecado pela traição voluptuosa de sua mãe, o jovem vai à procura da verdade e desencadeia eventos surpreendentes.

Serviço

Temporada de 19 de outubro a 16 de dezembro

Sexta – 21h – R$ 40, Sábado – 21h – R$ 60, Domingo – 19h – R$ 50

TUCA – Rua: Monte Alegre, 1024 – Perdizes – São Paulo – SP

Capacidade: 672 lugares

Ingressos: Vendas por telefone ou internet – Ingresso Rápido
– Aceita todos os cartões de crédito.
– Tel: (11) 4003-1212
– Site: www.ingressorapido.com.br
Bilheteria
– Horário de Atendimento: Terça a Domingo das 14h às 20h
– Formas de Pagamento: Amex, Aura, Diners, Hipercard, Dinheiro, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron.
Estacionamento
Estacionamento conveniado Riti (Hotel Transamérica)
– Rua Monte Alegre, 835 – R$15,00 – Tel.: (11) 3167-7111 (Valor válido somente mediante a apresentação de ingressos das peças em cartaz no TUCA)

Ficha Técnica

Texto – William Shakespeare

Tradução – Marcos Daud e Ron Daniels

Concepção e Direção – Ron Daniels

Elenco : Thiago Lacerda, Antonio Petrin, Eduardo Semerjian, Selma Egrei, Roney Facchini, Anna Guilhermina, Marcos Suchara, André Hendges, Marcelo Valente Lapuente, Rafael Losso, Rogério Romera, Fernando Azambuja, Chico Carvalho, Ricardo Nash, Everson Romito

Idealização e Curadoria Artística – Ruy Cortez

Cenografia – André Cortez

Figurinos – Cássio Brasil

Desenho de Luz – Domingos Quintiliano

Trilha Sonora – Aline Meyer

Coreografia de Lutas – Ricardo Rizzo

Assistência de Direção – Leonardo Bertholini

Preparação Vocal – Babaya

 

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