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E é com muito pesar que nos despedimos nesse domingo (11/06) de um dos nossos grandes mestres do teatro, agradecemos a tod@s a colaboração com doações e reservamos esse post para celebrar a vida desse grande homem:

Pedagogo, ator, diretor, iluminador, dramaturgo, ex-professor e coordenador do Teatro-Escola Macunaíma, esse é Will Damas. O ator é formado em Psicodrama pela Role-Playing, foi preparador da Oficina de Atores de São Paulo, além de coordenador dos professores da Oficina. Fundou o Engenho Teatral e o Grupo Clariô de Teatro. Também é membro da Sociedade Lítero-Dramática Gastão Tojeiro, do Grupo “A Palavra e o Gesto”, da Ing Ong. Idealizador e coordenador do Projeto Viajante Solidário, orientador do Projeto Ademar Guerra. Atuou em cinema, teatro, TV e já produziu inúmeras peças. Conhecido por Boleiros – Era Uma Vez o Futebol… (1998), Mundo Deserto de Almas Negras (2016) e Oi Laura, Oi Luís (1998).

 

CONFIRA ABAIXO  ENTREVISTA FEITA AO QUEBRE A PERNA (UMA AULA)

Link da Entrevista Completa

Personagem consagrado no mundo das artes cênicas, Wilson Damas Prodóssimo narra sua experiência ao QUEBRE A PERNA.

76495_1224076977763_3738203_nQP– Começou nos palcos quando, onde e por qual motivo? O que te levou ao mundo teatral?
​​
Will – Comecei a atuar no teatro em 1965, eu já fazia televisão e não conhecia o teatro. Foi quando o Canarinho me levou para assistir uma peça infantil, no Teatro Infantil Monteiro Lobato (TIMOL). Após assistir o espetáculo, falei para o Canarinho: “Quero fazer isso aí!”. E ele me disse: “Não é assim, eu quero fazer.” Na época eu era todo metido a besta, pois já era da televisão e me achava o máximo.
Então fui conversar com o diretor, que era o Iaco Miller, disse que gostaria de atuar no teatro, e ele pediu para eu ficar trabalhando com eles durante um ano, e que se eu pegasse o “esquema”, atuaria em uma peça.
Fiquei aproximadamente oito meses acompanhando o trabalho dele, os laboratórios, as montagens das peças. E louquinho pra ser escolhido, mas ele me deixava de lado, me fez operar a luz, som, produção, ir atrás de figurino. Até que fui chamado para subir aos palcos, interpretando o Visconde de Sabugosa, a peça era “O Reino de Narizinho”, ficamos numa longa temporada de três meses.
Foi acontecendo deu começar a faltar muito na Record por conta das apresentações, embora teatro não desse muito
dinheiro, essa não era minha preocupação. Por isso, fui me afastando da TV aos poucos. O começo da minha carreira foi bem dividido entre dança e teatro.
Quando dei por mim já estava apaixonado pelo teatro. Eu nunca tinha ido e falava que não gostava, quando assisti, vi aquela coisa e falei: “Caramba precisa de mais do que isso que eu sei para fazer teatro.” Essa dificuldade que me encantou, me instigou, esse retorno imediato do público. Esse corpo a corpo com as pessoas, que me fascinou.

​​​QP- Quais as mudanças que ocorrem neste segmento desde quando começou até os dias atuais? As dificuldades diminuíram ou aumentaram? Por quê?

Will- Agora está mais difícil produzir, pois nós estamos à mercê de verba pública. Não que antes produzir fosse mais barato, mas diferente dos dias atuais, se nós produzíamos uma peça de sucesso, a bilheteria nos pagava e nos auxiliava a construir e produzir a seguinte.​
Atualmente a bilheteria não paga nem o espetáculo, por mais que você fique563545_2908097557225_1819561319_n em cartaz diariamente, ela não paga a produção da peça, por isso, ficamos tão dependentes de editais e verbas governamentais.

​​​QP- Por qual motivo o teatro perdeu público? Qual modalidade de teatro que faz mais sucesso?

Perdemos público, sim, mas o problema não é apenas esse, os grupos teatrais se dividiram muito. Tínhamos na década de 60,70 e 80, cerca de 50 teatros em São Paulo, hoje temos 600 só no centro de São Paulo. Se contar a periferia são quase 800, espaços onde acontecem apresentações de teatro, não são teatros, mas foram assimilados como teatros. Então você tem uma diversidade de espetáculo que divide o público, além de ter diminuído muito por conta da televisão e cinema que ganharam público.

O segundo motivo deste problema é a queda na qualidade das peças de teatro. Denominamos de “Teatro para comer pizza depois”. Você assiste e da risada, não te acrescenta nada, come pizza e vai embora pra casa.

Por isso, acho que perdemos público fundamentalmente pela qualidade. As peças que fazem mais sucesso hoje em dia, exceto tragédia é qualquer uma, que não diga absolutamente nada.

​​​QP- Como enxerga a cultura no Brasil hoje? O governo concede a assistência necessária?

Will- A maioria dos problemas é culpa da nossa educação, não com o teatro. Quando se tira a aula de filosofia da grade horária nas escolas; E você diz para o “cara” que ele não precisa estudar, pois vai passar de ano, você quer o que? As pessoas deixaram de estudar, de se compreender, e principalmente de almejar conhecimento. Então isso faz com que a inteligência do público fique menor, e a exigência por bons espetáculos também, eles começam a responder a essa menoridade intelectual.
37962_1204026636517_1372413_n​Chegou um período em minha vida que vi amigos meus falando, vamos montar uma comédia, mas para rir, uma que não fale nada. E isso foi evoluindo de tal forma, até começar essas comédias Stand Up, que o “cara” falando nada, contando uma história e que não diz nada. Eu não sou contra isso, mas eu sou contra ao SÓ ISSO.

QP- O que lhe dá mais prazer, produzir ou atuar?

​​​Will- Felizmente ou infelizmente, não éramos para ser produtores, mas somos obrigados, afinal se não produzirmos nossas peças, ninguém mais quer produzir. Somos obrigados a nos tornar produtores, se quiser continuar fazendo teatro, embora isso acabe sobrecarregando em trabalho, e claro em dinheiro principalmente.​

GRUPO CLARIÔ DE TEATRO

COMPANHIA DAS ARTES

ESTREIA ESSE MÊS

DEPOIMENTO DO WILL DAMAS AOS 20 ANOS DA ENT

Vinte anos, sonhos concretizados. Um aluno aplicado e com objetivos muito claros, vem até mim, com a preocupação natural de quem quer fazer o melhor e pergunta:
Acha que sou capaz de fazer este personagem?
Sim, respondo. E vai fazer muito bem! Fez. Fez mais, formou-se como ator e com o firme propósito de levar pra sua cidade a possibilidade de que outros tivessem a oportunidade de, sériamente, aprender essa profissão tão difícil, que muitas vezes confunde-se com a vontade de ser visto e reconhecido somente por isto. Vinte anos, lutando e mantendo de modo profissional uma escola que oportuniza jovens atores a experimenciarem o papel de artista na função de ator, esse ser que tem por função “precipitar o futuro”, abrilhantar os palcos, despertar consciências, transformar sociedades e questionar comportamentos. Parabéns, Renato! Pela sua garra. Que muitos mais vinte anos te acompanhem nessa trajetória difícil, mas tremendamente prazeirosa que é fazer “arte” da melhor qualidade possível! Grande beijo!

Will Damas994916_3345172643829_1314615244_n

 

Mestre Will Damas nós te agradecemos! Ilumine nosso céu!

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