Lembro que ainda muito nova eu dizia que queria ser atriz, acho que minha família tinha certeza que o tempo me faria mudar de idéia, que o amadurecimento mostraria que eu tinha outras qualidades que poderiam ser bem aproveitadas em outra área. E não é que eu tinha mesmo outras habilidades? Sempre fui ótima em gerenciar, administrar, planejar… A vida me colocou (ou eu me coloquei?) na E.N.T, o lugar onde pude unir minhas qualidades ao imenso amor que tenho pelo teatro. Aqui descobri que amo mais dirigir do que atuar e que adoro a possibilidade de proporcionar às pessoas a acesso ao teatro, à arte e à felicidade.

Esses dias no ensaio do “Improviso de Versalhes” entramos no assunto: fazer teatro é uma escolha? Na minha opinião, não! Porque optar pelo teatro não passa pela racionalidade, se eu tivesse pensado se ficava com o Teatro ou com a Publicidade, teria escolhido a publicidade, é o mais racional! Não se decide pelo teatro, simplesmente seguimos o coração, a emoção, simples resultado de um poder de atração que nos puxa em direção ao mágico, à liberdade e a possibilidade de vivenciar o amor. Pode-se sim, optar por NÃO fazer teatro, embasado em todas as dificuldades, essa é uma decisão possível e racional ( doloridíssima, diga-se de passagem).

Quantas pessoas tem oportunidade de trabalhar no que gostam? Além de amar o que faço, há algo que me fascina: chegar na escola e ver em cada aluno o que o teatro está trazendo de bom pra vida dele. Ver gente com sonhos a serem conquistados, gente que compartilha sentimentos, gente que tem medo mas não desiste, gente que quer melhorar como pessoa, gente corajosa! Sou privilegiada por, além de ter meu teatro para realizar os meus objetivos artísticos, ainda poder contribuir para viabilizar os sonhos das outras pessoas. Exalto cada conquista de cada aluno, porque sei que conquistas nessa área são batalhadas, e que ficará, invariavelmente, um pedacinho de nós diretores e professores em cada aluno que passa por aqui. Sementes são plantadas há 20 anos e a colheita tem sido muito bonita.

 

Andréa Weber

(Diretora teatral e diretora administrativa da Escola Nacional de Teatro)

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