É bastante difícil falar de minha relação com a Escola e com a Andrea sem ser um pouco fatalista.  Ou não.  Tenho dúvidas se nosso encontro “estava escrito nas estrelas” ou se foi a determinação que ela tem em seguir os caminhos em que acredita que nos aproximou.

Há indícios que podem me levar às duas possibilidades.

Eu estava gravando Chiquititas em Buenos Aires  e, como todos do elenco, recebia muitas cartas.  Por conta do ritmo das gravações era impossível respondê-las.  Minha irmã, Ignez mandava uma foto, essa sim, autografada de verdade, para todos os remetentes. Embora eu não respondesse de próprio punho eu as lia. Quando terminou minha participação lá, escolhi 5 para trazer comigo. Dentre elas havia uma cuja letra, o assunto, a forma, a maneira de pensar e a correção se destacava das outras. Um dia, já em São Paulo, passeando no Google, dou de cara com uma página, blog, não lembro o que nome tinha na época, com uma foto minha e meu currículo.  Entrei em contato e era ela, Andrea,  a autora da carta e da façanha .  Coincidência? Acaso?  Estava combinado já por um roteirista mágico?

Aos poucos fomos nos aproximando via Internet e por meio da vida. Tenho acompanhado o crescimento dela como pessoa e como conhecimento. Quer dizer, temos acompanhado os nossos crescimentos.

Compartilhamos dúvidas, descobertas, apreensões, convicções etc…  E, saibam, somos totalmente diferentes.  A Andrea é programática, organizada, organizadora e cheia de planos.

Eu sou a rainha do insight,  do inesperado, do “deixa a vida me levar vida leva eu”.  Mas não há um mínimo de ação da parte dela que eu não admire e não confie.  E assim como a Escola faz vinte anos esse ano e eu estou – finalmente conseguimos !- , dirigindo um espetáculo para eles  , ela sendo minha diretora assistente, eu, em meu coração, tenho um desejo, uma convicção de que  a ENT crescerá muito e constantemente.  E sempre cuidadosa  com o rigor e com a qualidade. Com excelência. Pois nisso, quando olho para a Andrea, reconheço-me  numa certa obsessão por carecer de sentido, verdade e entusiasmo naquilo que faz.  Imagino que esse seja nosso grande ponto em comum.  Além do imenso afeto, claro.

Imara Reis

Ps: como nada nem ninguém é perfeito:  ela gosta de mandioquinha, batata barôa…. essa coisa esquisita da natureza.

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