Texto escrito por Ron Daniels, retirado do programa do espetáculo “REI LEAR” protagonizado por Raul Cortez

Nosso ponto de partida foi o texto. A peça é maravilhosa. Precisávamos de uma versão inteiramente nossa, acessível, que nos permitisse compar
tilhar da vida dos personagens, de seus relacionamentos e conflitos, de sua grandeza e mesquinhez sem embolação ou dificuldades de compreensão.

Precisávamos mesmo fazer de conta (como sempre!) que nosso autor acaba de escrever esta sua obra-prima, que REI LEAR nunca antes foi montada e, mais do que isso, que ela foi escrita em português, para ser falada por atores brasileiros e ouvida por uma platéia brasileira com gozo e prazer.

Segundo John Barton, uma das maiores autoridades no assunto (e um dos grandes encenadores da Royal Shakespeare Company) o famoso “pentâmetro iâmbico”, o verso shakesperiano de dez sílabas, é a maneira natural de falar inglês! Vamos procurar essa naturalidade na nossa versão para que Shakespeare possa falar diretamente aos nossos corações.

Façamos de conta que Shakespeare é brasileiro. E assim talvez possamos perceber o que ele, na sua compreensão, tem a dizer sobre nós mesmos e nossa humanidade. Mas não vamos “localizar” o REI LEAR especificamente no Brasil ou mesmo em algum período histórico determinado. Não trata disso. A encenação deverá ser mais abstrata. Universal, mas percebida através da imaginação brasileira. Ela terá quatro movimentos: a civilização, bela e orgulhosa; a tempestade que traz o caos e que revela o homem em toda a sua nudez; o pós-tempestade, quando a ordem desaparece e a loucura está desenfreada, e finalmente no período da guerra  e a restauração. Os velhos agora estão mortos . É a hora dos jovens: cabe a eles criar um mundo novo, através da compaixão e do carinho aprendidos no desamparo e no sofrimento.

Onde está a verdade? Perguntam os personagens desta peça. Quem somos e como podemos nos conhecer, se tanto nos ocultamos de nós mesmos? E como podemos enxergar se nossos olhos parecem sempre nos enganar?

Vamos então, como diz Edgar, como peregrinos numa longa caminhada e que Shakespeare nos conduza ao encontro da verdade de nós mesmos e de um ao outro.

ELENCO:

RAUL CORTEZ, LU GRIMALDI, LIGIA CORTEZ, BIANCA CASTANHO, GILBERTO GAWRONSKI, MARIO CESAR CAMARGO, LUIZ GUILHERME, CACO CIOCLER, ROGERIO BANDEIRA, LEONARDO FRANCO, MARIO BORGES, BARTHOLOMEY DE HARO, CESAR FIGUEIREDO, DANIEL COSTA, FLAVIO ROCHA, FRANCISCO LANDIM, JOÃO PAULO LORENZON, JULIO ROCHA, KIKO BERTHOLINI, LEONARDO DE MIRANDA, MILTON MORALES, NICOLAS TREVIJANO, PEDRO HENRIQUE MOUTINHO, PITTA DE SOUZA E RAONI CARNEIRO

DIREÇÃO, TRAD E ADAPT – RON DANIELS

CENOGRAFIA E FIGURINO: JC SERRONI

ILUMINAÇÃO: DOMINGOS QUINTILIANO

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