Por Andréa Weber

Muito mais que um procedimento pedagógico que mostrou-se extremamente eficiente para o entendimento dos componentes do teatro épico/dialético, “Cabaret Mundo” e “Cabaret Brasil” me proporcionaram uma reflexão relevante dentro da minha função de mantenedora de um espaço educacional, sendo pregado em certas rodas sociais a afirmativa de que a juventude do nosso tempo está alienada, pergunto: nossos jovens SÃO alienados ou lhes falta INCENTIVO AO QUESTIONAMENTO?

A partir do momento em que foi colocada aos nossos jovens alunos a proposta de pensar criticamente (individual ou coletivamente) questões sociais e históricas, estes puderam expressar a forma como lidam com estas questões, seus pontos de vista e principalmente refletir o “como” passar essa mensagem ao público de forma que este também se veja em posição de questionar.  O resultado impressiona pela profundidade das reflexões, pela propriedade com que foram colocadas situações para as quais a maioria da sociedade simplesmente fecha seus olhos.

Outra constatação relevante é a falta de disponibilidade de parte do publico para deixar-se levar pela onda de pensamentos, questionamentos, críticas e reflexões levantadas pelo Cabaret, mostrando a dureza da couraça criada pelo individuo para que possa viver sua vida sem “enxergar demais”, levando-o a diminuir o tamanho do problema que há, e que na maioria das vezes é visto como um problema do outro. Assim como este mesmo individuo deixa na mão dos outros os problemas como: fome, miséria, corrupção, guerras, disparidades sociais. Ao deixar todas estas questões nas mãos do Estado, dos Governos, dos Politicos, da Polícia, lavam suas próprias mãos da miséria do mundo e seguem em frente sem realmente fazer parte deste mundo.

Que esta experiência ricamente orientada pelo Prof. André Castelani fique impregnada em cada um destes atores como forma de continuarem a desenvolver a atitude pensante, crítica e reflexiva que faz parte desta profissão.  Que venham novos Cabaret’s, outras visões, outras questões, outros públicos para incomodar.

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